O presente trabalho objetiva averiguar o estatuto do kitsch enquanto
manifestação visual carregada de clichês e falsifcações da realidade, tal como se
exibe no Caso Especial Quem era Shirley Temple?, de Osman Lins — levado ao ar
em 1976, estrelado por Dina Sfat e dirigido por Paulo José. Pretende-se discutir
algumas formas de representação imagética notoriamente kitsch, integradas ao
teledrama de Osman e indicadas em epígrafes pelo próprio autor, como elementos
composicionais determinantes para a caracterização da protagonista, das
personagens e para as situações narrativas. Quer-se mostrar, sobretudo, como a
apropriação da imagem pueril da atriz Shirley Temple na telepeça osmaniana prestase para depurar e consolidar convenções sociais preconceituosoas e discriminatórias.
Tais standarts são extravasados explicitamente na narrativa por um tipo de nostalgia
kitsch do belo, considerado como categoria estética e degradação ética.