| Depoimentos Sempre
admirei no Osman Lins a extrema dignidade pessoal e seriedade com que
encarava o papel do escritor, o ideal da escrita. Não eram visões
puramente formais, mas ligadas a uma visão de mundo complexa, que
ele foi aprofundando. “Osman
Lins afasta-se por completo da craveira comum. Escreve limpo, terso correto,
mas fluente, preciso, variado e original. Estilo que nasce de cerrado
esforço e longa paciência, em momento algum a linha de pensamento
falha, cede à circunstância, amolece ou afrouxa. Todas as
minúcias da história são ditas com as palavras exatas,
nem mais nem menos”.
A verdade é que Osman Lins, e já perfeitamente situado no
moderno romance brasileiro, amplia sua penetração na área
ficcional ao colocar-se de modo decisivo entre os contistas de sua geração.
Nesse círculo, com todos os caminhos já percorridos –
nessa oscilação que vai de Ricardo Ramos a Samuel Rawet-
completa-se com Os gestos a linha intimista que faltava. É
assim, pois, a arte de Oman Lins: composta de temas simples, lineares,
tratados numa forma desataviada, porém, bela na sua singeleza e
na sua cristalinidade, cheia de sugestões mais do que afirmações
contundentes, uma arte sóbria, substancial e ecoante de ressonâncias
duradouras.
Toda a ficção de Osman Lins desde O visitante com que estreou
em 1955, e a que seguiram Os gestos, O fiel e a pedra, Nove, novena, Avalovara,
A rainha dos cárceres da Grécia é uma obra de renovação...
Cabe à crítica, porém, proclamar sem hesitação
a importância dessa obra magistral: um dos pontos altos do romance
brasileiro atual que se manterá por cima das pequenas disputas
das rodas e dos modismos literários.
Osman Lins é, entre os escritores brasileiros, sem dúvida
um dos mais conscientes de seu ofício, como arte e profissão,
como problema estético e moral. Mestre de muitos gêneros,
revelou-se por ora de modo mais expressivo no campo da ficção
narrativa. O volume de narrações, Nove, novena , satisfazendo
e ultrapassando as expectativas suscitadas por romances anteriores, certamente
se conta entre os melhores de 1960. |