Depoimentos

“O que desde logo prende em Avalovara é a poderosa coexistência da deliberação e da fantasia, do calculado e do imprevosto, tanto no plano quanto na execução de cada parte. Falando do relógio de Julius Heckethorn ( uma das linhas da narrativa), o Autor diz que obedecia a "um esquema rigoroso". E "sobre este rigor assenta a idéia de uma ordem no mundo". Mas "como introduzir, então, na obra, o princípio de imprevisto e aleatório, inerente à vida?" A execução do livro é a resposta, fascinante para o leitor, à medida que este vai experimentando a precisão geométrica do arcabouço, a minúcia implacável e a poesia livre que rompe a cada instante."
( Antonio Candido)

"Avalovara é um romance que propõe e estimula uma leitura criativa. Nele o leitor pode desfrutar o prazer da descoberta ao se deixar surpreender pelo novo. Essa novidade abrange, simultaneamente, a matéria e a estrutura do livro. Isso quer dizer que aciona realidades estranhas à nossa rotina cotidiana numa forma narrativa que também é pouco usual."
( Modesto Carone)

Sempre admirei no Osman Lins a extrema dignidade pessoal e seriedade com que encarava o papel do escritor, o ideal da escrita. Não eram visões puramente formais, mas ligadas a uma visão de mundo complexa, que ele foi aprofundando.
( José Paulo Paes)

“Osman Lins afasta-se por completo da craveira comum. Escreve limpo, terso correto, mas fluente, preciso, variado e original. Estilo que nasce de cerrado esforço e longa paciência, em momento algum a linha de pensamento falha, cede à circunstância, amolece ou afrouxa. Todas as minúcias da história são ditas com as palavras exatas, nem mais nem menos”.
( Massaud Moisés)

A verdade é que Osman Lins, e já perfeitamente situado no moderno romance brasileiro, amplia sua penetração na área ficcional ao colocar-se de modo decisivo entre os contistas de sua geração. Nesse círculo, com todos os caminhos já percorridos – nessa oscilação que vai de Ricardo Ramos a Samuel Rawet- completa-se com Os gestos a linha intimista que faltava.
( Adonias Filho)

É assim, pois, a arte de Oman Lins: composta de temas simples, lineares, tratados numa forma desataviada, porém, bela na sua singeleza e na sua cristalinidade, cheia de sugestões mais do que afirmações contundentes, uma arte sóbria, substancial e ecoante de ressonâncias duradouras.
( Oscar Mendes, sobre Os gestos)

Toda a ficção de Osman Lins desde O visitante com que estreou em 1955, e a que seguiram Os gestos, O fiel e a pedra, Nove, novena, Avalovara, A rainha dos cárceres da Grécia é uma obra de renovação... Cabe à crítica, porém, proclamar sem hesitação a importância dessa obra magistral: um dos pontos altos do romance brasileiro atual que se manterá por cima das pequenas disputas das rodas e dos modismos literários.
( Nilo Scalzo, 1978)

Osman Lins é, entre os escritores brasileiros, sem dúvida um dos mais conscientes de seu ofício, como arte e profissão, como problema estético e moral. Mestre de muitos gêneros, revelou-se por ora de modo mais expressivo no campo da ficção narrativa. O volume de narrações, Nove, novena , satisfazendo e ultrapassando as expectativas suscitadas por romances anteriores, certamente se conta entre os melhores de 1960.
( Anatol Rosenfeld, 1970)