O Desafio de Osman Lins
(Revista Escrita, ano II, no.13, 1976)

Wladyr Nader: -Gostaria que você falasse um pouco do seu próximo livro, o nome, a estória, enfim, os dados que você quisesse dar.

Gilberto Mansur: -Queria que você o situasse, principalmente em relação ao Avalovara, porque eu acho que o Avalovara criou uma expectativa muito grande.

Osman Lins: -Chama-se A Rainha dos Cárceres da Grécia. Talvez eu pudesse dizer que é um livro sobre o INPS. Os que acham que eu estaria desinteressado dos problemas brasileiros vão ficar decepcionados. Agora, não tem nada que ver com o Avalovara. É bem diferente, embora, naturalmente tenha certas conexões. A Rainha dos Cárceres da Grécia é o seguinte: uma dona de Pernambuco que é amante de um sujeito em São Paulo, escreve um romance, na companhia dele, sobre uma certa Maria de França, que deseja obter um benefício do INPS, sem jamais conseguir. Depois ela morre sem que o romance tenha sido publicado, e o amante da pseudo-autora põe-se a escrever uma meditação sobre este livro. Esta meditação é que é o livro que o leitor vai ler. E através dela, deste ensaio fictício sobre esse livro que na realidade não existe, é que o romance desta mulher vai aparecendo. Vai aparecendo em camadas e, ao contrário do que preceituam os estudos literários contemporâneos, o ensaísta não se distancia da obra, ao contrário, ele termina por integrar-se de tal modo que vem a transformar-se num dos seus personagens.