| Alegoria
da Arte do Romance Esdras do Nascimento: Atrás de toda obra romanesca há um homem, o engajamento pessoal de um homem. Até que ponto Avalovara significa para o seu autor, uma tentativa de respostas a questões postas pela vida? De que natureza seriam essas questões?
Osman Lins: Aqui e ali, realmente, busquei certas respostas. Não
foi isso, porém, que regeu o romance. Quando escrevi Guerra sem
Testemunhas, minha atitude mental e meus objetivos eram outros. Tratava-se
de um ensaio e eu procurava enfrentar uma série de questões,
algumas de ordem prática e todas relacionadas como o ofício
de escritor. Moveram-me a escrever Avalovara, que é um romance,
razões bem diferentes. Eu ambicionava realizar um texto que, sem
limitar-se apenas a isto, expressasse a minha paixão pela escrita
e pelas narrativas. Um livro que fosse, no primeiro plano, se assim posso
dizer, uma alegoria da arte do romance. Há muito tempo preparava-me.
O projeto básico da obra e seu arcabouço estão ligados
à arte de narrar e aludem constantemente à ambigüidade
da palavra. Lendo-o com atenção, vê-se que tudo isto
o atravessa gerando uma infinidade de motivos. |